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Acabamentos em tintas em pó: as inovações que ampliam aplicações e competitividade


Acabamentos em tintas em pó: as inovações que ampliam aplicações e competitividade

Avanços em formulação, desempenho anticorrosivo, estética e tecnologias de cura ampliam as aplicações das tintas em pó e reforçam sua competitividade frente aos revestimentos líquidos disponíveis no mercado. Confira as soluções que vêm redefinindo o setor.

Claudio Rodrigues Martins — WEG Tintas
Claudio Rodrigues Martins
Chefe do Lab. de Pesquisa e Desenvolvimento de Tintas em Pó, da WEG Tintas Ltda

As tintas em pó, que há muitas décadas se consolidam como uma excelente alternativa de revestimento sustentável e econômica, vêm se destacando nos últimos anos graças a expressivas melhorias em desempenho – como resistência ao intemperismo agressivo, resistência química e resistência anticorrosiva –, além de avanços significativos nas características de aparência e estética.

Essa evolução tecnológica permitiu a ampliação do uso das tintas em pó em segmentos tradicionais – como eletrodomésticos, perfis de alumínio, implementos rodoviários e agrícolas, estruturas metálicas, entre outros. Paralelamente, abriu-se espaço para novas aplicações, como o revestimento de madeira, plásticos e substratos termossensíveis.

Recentemente, o mercado de tintas em pó vem sendo impulsionado pela recuperação econômica global no período pós-pandemia e pela substituição contínua das tintas líquidas à base de solvente por opções em pó, especialmente fora dos mercados tradicionais da Europa Ocidental.

Segundo estimativas recentes, o mercado global de tintas em pó representa aproximadamente 16% do valor total do mercado mundial de tintas industriais e apresenta projeção de crescimento anual composto entre 5% e 7% até 2029 – uma taxa significativamente superior à dos revestimentos líquidos à base de solvente.

Inovações em destaque

A seguir, destacam-se os novos tipos de acabamentos de tintas em pó, que comprovam essa tendência de evolução e mudança tecnológica no setor de revestimentos.

1. Tintas em pó epóxi à base de zinco com ação anticorrosiva

Através da tradicional proteção por ação catódica, as tintas em pó epóxi à base de zinco apresentam desempenho excepcional quando aplicadas como primer de sistemas de pintura que serão submetidos à condição de intemperismo extremo – como, por exemplo, na aplicação de peças de pequeno porte utilizadas em plataformas de petróleo –, cumprindo larga expectativa de durabilidade e de bons resultados de resistência de corrosão acelerada, conforme as normas ISO 12944-9 (ambiente CX) e ISO 11474 (Scab Test).

2. Tintas em pó epóxi isentas de zinco e de alta camada com ação anticorrosiva

Também com o objetivo de ampliar a expectativa de durabilidade em ambientes extremos – como aqueles com elevada acidez ou alcalinidade –, as tintas em pó epóxi isentas de zinco e de alta camada passaram por uma significativa renovação tecnológica nos últimos anos. Esses revestimentos, que podem ser utilizados tanto como primer quanto como acabamento, incorporam novos componentes anticorrosivos, alcançando alto desempenho e excelentes resultados, conforme as normas ISO 12944-9 (ambiente C5H) e ISO 11474 (Scab Test).

3. Tintas em pó poliéster superduráveis

Quando a principal exigência é alta durabilidade aliada à estética, as tintas em pó poliéster superduráveis se destacam como uma solução altamente eficaz. Embora, há poucas décadas, esse tipo de revestimento apresentasse um custo elevado e pouco competitivo, avanços em pesquisa, desenvolvimento e em escala produtiva possibilitaram significativa redução de custos. Estes revestimentos apresentam resistência aos raios ultravioleta de 3 a 5 vezes superior à dos poliésteres convencionais, fato que impulsionou sua adoção nos segmentos de implementos agrícolas e na arquitetura. Elas oferecem excelente durabilidade, resistência química e expectativa de vida útil de até 20 anos.

4. Tintas em pó poliéster superduráveis anticorrosivas

Também como uma recente novidade de aplicação no segmento de estruturas metálicas, as tintas em pó poliéster superduráveis anticorrosivas aliam a alta resistência ao intemperismo (detalhado no item anterior) com a resistência anticorrosiva, isso ocorre por meio do mecanismo de proteção por barreira. Atualmente, esse tipo de revestimento é indicado para ambientes severos.

Quando aplicadas sobre primers epóxi (descritos nos itens 1 e 2), formam sistemas de pintura em dupla camada, ideais para obras localizadas em regiões costeiras ou em ambientes offshore, proporcionando expectativa de durabilidade superior a 25 anos.

5. Tintas em pó poliéster superdurável com efeito madeira

Devido à crescente escassez e substituição da madeira natural por soluções alternativas no setor arquitetônico, as tintas em pó com efeito madeira vêm ganhando espaço em diversos empreendimentos no país.

Esse acabamento é obtido por meio de equipamentos específicos, utilizando processos de sublimação ou aplicação ‘pó sobre pó’, resultando em revestimentos que reproduzem fielmente diferentes padrões e texturas de madeira, criando ambientes visualmente agradáveis e aconchegantes. Na tecnologia por sublimação, também é possível obter outros efeitos, como aparência de aço corten, concreto e diversas cores de pedras naturais.

6. Tintas em pó metálicas, perolizadas e microtexturizadas do tipo ‘areia’

Também no sentido de oferecer diferenciação, aparência agradável e com maior requinte, as tintas em pó metálicas, perolizadas e microtexturizadas do tipo ‘areia’ vêm ocupando cada vez maior fração no mercado. Destacam-se as recentes evoluções na tecnologia de fabricação por bonding, que permitem a reutilização total do pó recuperado durante a aplicação, garantindo excelente uniformidade visual e eliminando a ocorrência de manchas no acabamento final.

7. Tintas em pó de ultrabaixa cura

Talvez o maior avanço tecnológico recente no fortalecimento das tintas em pó como revestimento altamente sustentável seja a tecnologia de ultrabaixa cura, já consolidada como realidade no mercado nacional. Esse avanço foi viabilizado pelo desenvolvimento de novos polímeros, aditivos e agentes de reticulação, que possibilitaram a redução da temperatura de cura de aproximadamente 200 °C para cerca de 130 °C.

Essa inovação proporciona boa estabilidade, excelente acabamento, aumento de produtividade e, principalmente, redução de custos operacionais – devido ao menor consumo de gás nas estufas de cura. Além disso, viabiliza a aplicação de tintas em pó em novos substratos condutivos.

8. Tintas em pó por cura IR ou IR+UV

Seguindo a tendência de sustentabilidade e expansão para novos segmentos – como madeira, MDF e determinados tipos de plásticos –, as tintas em pó por cura infravermelha (IR – Infra Red), e por cura combinada IR + UV, vêm sendo estudadas e ofertadas no mercado nacional.

Essas tecnologias apresentam alto potencial de substituição das tintas líquidas à base de solvente, pois permitem a redução do número de camadas para obtenção do mesmo acabamento final, aumentam a produtividade e reduzem o custo por metro quadrado pintado. Apesar da dependência de equipamentos específicos (em sua maioria importados) e do elevado investimento inicial, elas representam um importante avanço tecnológico, possibilitando temperaturas de cura ainda mais baixas, em torno de 110 °C.

Exemplos de acabamentos em tintas em pó: efeito madeira, estruturas metálicas, cores e perfis de alumínio
Exemplos de acabamentos em tintas em pó – do efeito madeira aos perfis de alumínio coloridos.

Observa-se, portanto, que a evolução das tintas em pó está diretamente associada ao avanço tecnológico, à sustentabilidade e à ampliação de aplicações. Os novos acabamentos apresentados demonstram um setor em constante transformação, preparado para atender exigências crescentes de desempenho, durabilidade e eficiência produtiva.

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