Em um cenário de transição energética e alta competitividade, especialistas e diretores comerciais de empresas líderes analisam as tendências, desafios e inovações que estão redefinindo o papel do alumínio e dos tratamentos de superfície na indústria.
Por Danilo Cardoso. Colaborou Ana Carolina Coutinho.
O alumínio consolida-se como um dos materiais mais estratégicos da indústria contemporânea, ocupando posição de destaque em um cenário marcado pela transição energética, pela busca por eficiência e pela reconfiguração das cadeias globais de produção. Leve, resistente e altamente reciclável, o material tem ampliado sua presença em setores-chave, como mobilidade, construção civil, energia e bens de consumo, exigindo, ao mesmo tempo, soluções cada vez mais avançadas em tratamentos de superfície.
Nesse contexto, o papel das empresas do setor vai além do fornecimento de produtos e serviços: trata-se de desenvolver tecnologias capazes de elevar o desempenho do alumínio, garantindo maior durabilidade, resistência à corrosão, acabamento estético e eficiência energética nos processos. A evolução das exigências técnicas e ambientais, aliada ao aumento da competitividade global, tem impulsionado a inovação em tratamentos como anodização, conversão química, pintura e processos híbridos.
Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios relevantes. O custo de energia no Brasil, as crescentes demandas por sustentabilidade e as mudanças nas políticas comerciais internacionais têm impactado diretamente a competitividade da cadeia do alumínio. Tarifas, subsídios e incentivos à produção local em grandes economias também têm redesenhado fluxos de mercado e exigido respostas estratégicas por parte das empresas nacionais.
Diante desse cenário, esta matéria especial reúne a visão de importantes players do setor, com a participação de empresas como Alar, CPA Corantes, Metal Coat, Proquimia, SurTec, SustenTS e WEG. Especialistas e diretores comerciais dessas organizações compartilham suas perspectivas sobre as principais tendências, desafios e oportunidades do mercado, trazendo uma análise qualificada sobre o papel do tratamento de superfícies no avanço do alumínio. São abordadas desde as estratégias de atuação em diferentes segmentos industriais até as soluções mais relevantes para atender às crescentes exigências de desempenho, durabilidade e eficiência. Também entram em pauta os impactos do cenário econômico global e as transformações tecnológicas que vêm redefinindo o futuro do setor, especialmente em aplicações ligadas à mobilidade, construção sustentável e eletrificação, onde o tratamento de superfície é decisivo para ampliar ainda mais o potencial do alumínio.
Alar Produtos Químicos
Eliezer Ferraz de Almeida, Coordenador de Operações e Negócios — www.alar.ind.br
Em quais setores sua empresa atua hoje e como o alumínio se insere estrategicamente nessas operações?
Somos fornecedores de processos químicos para tratamento superficial e vemos, hoje, o mercado crescente do alumínio, principalmente ligado à construção civil – esquadrias. O Brasil tem um histórico no alumínio primário, na extrusão, mas o tratamento de superfície hoje se tornou referencial, visto que os grandes fabricantes de insumos, equipamentos e demais periféricos estão, todos, instalados no país.
Quais soluções para o tratamento de superfícies de alumínio sua empresa considera, hoje, mais importantes para atender às exigências de desempenho, durabilidade e eficiência energética?
A ALAR comercializa produtos nanotecnológicos desde o seu início – quando havia o descrédito de que esses processos não dariam a garantia anticorrosiva necessária. Passados 17 anos vemos o inverso, já que todos os fabricantes de pré-tratamento hoje ou têm ou correm para desenvolver a sua tecnologia. Sendo pioneiros nesse setor, trouxemos a condição de um processo no-rinse, ou seja, eliminando a lavagem final (especificamente desmineralizada), além de ampliar o uso do desengraxe ácido – a média temperatura (entre 25 e 35 °C) – em face do desengraxe alcalino que operava a cerca de 65 a 70 °C. Portanto, a nanotecnologia é a maior aliada para os ganhos citados, dando total segurança a quem a utiliza.
Como você avalia o momento atual do setor de alumínio no Brasil diante de fatores como custo de energia, exigências ambientais e reposicionamento das cadeias globais de fornecimento?
Creio que são de mudanças, mas que o Brasil realmente já se encontra preparado e disponível para atendê-las. Vemos, cada vez mais, as indústrias investindo em energia por sistema de placas solares, evitando a dependência das outras fontes. Hoje, temos os fabricantes de alumínio primário, além dos sistemas de refusão investindo na capacitação e melhoria dos processos. O Brasil, que sempre tinha um gap tecnológico frente, principalmente, à Europa, creio que o diminui drasticamente e hoje tem suas operações estabilizadas, sem dependência. Claro que precisamos melhorar o Custo Brasil – impostos, logísticas, entre outros –, para termos uma renovação e modernização das cadeias produtivas.
De que maneira medidas comerciais adotadas por grandes economias, como tarifas, subsídios e políticas de incentivo à produção local, vêm influenciando o mercado de alumínio e as estratégias da sua empresa no Brasil?
Nós sentimos essas mudanças através da variação da cadeia produtiva da construção civil, o que afeta não só a cadeia do alumínio, mas do ferro, vidros e outros insumos. A ALAR continua investindo em recursos técnicos humanos para atender as demandas. As ondas passam e, na sequência, vem a demanda reprimida, precisamos estar preparados. Agora, quanto tempo durará essa onda, é a pergunta difícil de se responder.
CPA Corantes
João Ricardo Baptista, Diretor — www.cpacorantes.com.br
Em quais setores sua empresa atua hoje e como o alumínio se insere estrategicamente nessas operações?
A CPA atua com soluções técnicas para a cadeia do alumínio anodizado, atendendo setores como construção civil e arquitetura, automotivo, aeronáutico, naval, cosmético, militar e industrial em geral. Em todos esses mercados, o alumínio não é tratado como commodity, é visto como matéria-prima para criação de valor. O tratamento de superfície é o que define se uma peça vai ter durabilidade, estética consistente e desempenho real. Nosso papel é fornecer os insumos químicos, o método e o suporte técnico para que isso aconteça de forma controlada e repetível.
Quais soluções para o tratamento de superfícies de alumínio sua empresa considera, hoje, mais importantes para atender às exigências de desempenho, durabilidade e eficiência energética?
O que mais faz diferença não é um produto isolado, mas a consistência ao longo de todo o processo, do pré-tratamento à selagem. Trabalhamos com a linha completa, mas, nesse sentido, dois temas têm ganhado relevância crescente no nosso portfólio. O primeiro são os nanocompostos à base de zircônio, que formam camadas de conversão ultrafinas com boa ancoragem e resistência à corrosão. O segundo são os equipamentos de recuperação de ácidos e metais por troca iônica, que reduzem diretamente o volume de efluente gerado e a carga que chega à estação de tratamento, com impacto real em consumo de energia, produtos de neutralização e custo de descarte. A recuperação, na prática, deixa de ser obrigação ambiental e vira economia operacional com payback mensurável.
Como você avalia o momento atual do setor de alumínio no Brasil diante de fatores como custo de energia, exigências ambientais e reposicionamento das cadeias globais de fornecimento?
É um momento de pressão e de oportunidade ao mesmo tempo. O custo de energia no Brasil ainda penaliza quem opera processos eletroquímicos como a anodização. As exigências ambientais aumentam, e muitas empresas ainda tratam efluentes e descarte de banhos como custo fixo inevitável, quando, na verdade, há tecnologia disponível para transformar isso em economia real. Por outro lado, o interesse crescente por alumínio anodizado em aplicações de maior valor agregado, arquitetura, cosmético, automotivo, está abrindo espaço para quem consegue ofertar processo controlado e qualidade certificável. O mercado está se dividindo entre quem compete por preço e quem compete por qualidade e padrão. A CPA está claramente do segundo lado.
De que maneira medidas comerciais adotadas por grandes economias, como tarifas, subsídios e políticas de incentivo à produção local, vêm influenciando o mercado de alumínio e as estratégias da sua empresa no Brasil?
A CPA não é produtora de alumínio, mas sente os efeitos das políticas globais de forma indireta. O redirecionamento de fluxos de alumínio primário e extrudado impacta diretamente nossos clientes (anodizadoras e transformadores) em termos de volume, liga e na qualidade do material que chega para processamento. Ligas diferentes se comportam de forma diferente no processo de anodização, e variações de origem do metal, às vezes, exigem ajustes nos parâmetros de processo. No campo de insumos, operamos com portfólio variado, onde a dependência de importação é real e a volatilidade de preço e disponibilidade são constantes. Isso nos obriga a trabalhar com antecedência de estoque e alternativas técnicas validadas.
Nesse contexto de maior complexidade técnica e competitiva, quais têm sido os principais desafios do tratamento de superfícies de alumínio e quais diferenciais sua empresa acredita serem decisivos para se manter relevante no mercado?
Cremos que é a separação entre o que realmente é processo garantido e o que é apenas marketing. A empresa, já há muito tempo, vem investindo em serviços técnicos. Hoje temos três carros-laboratórios, onde os clientes das regiões Sudeste e Sul são atendidos com visitas periódicas e acompanhamento in-loco do processo – através de análise de perda de massa e medição da camada de conversão com espectroscopia. Investimos no laboratório, com aquisição de mais duas máquinas de Salt Spray, para que nossos clientes tenham um volume de acompanhamento dos testes full-time. Pensamos em ser o parceiro ideal de serviço técnico, que é o que oferecemos e garantimos aos nossos clientes.
O maior desafio – que vemos no dia a dia dos nossos clientes – ainda é a falta de controle de processo. Muitas operações funcionam no improviso, sem análise regular de banhos, sem parâmetros documentados, sem critério claro de aceitação de peças. Isso gera retrabalho, variação entre lotes e dificuldade de escalar. O diferencial que consideramos mais decisivo não é o produto em si, é a combinação de produto bom com método e suporte técnico real. Fornecedor que só entrega produto e some não resolve o problema do cliente. O que nos diferencia é estarmos presentes no processo: diagnóstico, treinamento, análise laboratorial, padronização. Gente treinada opera melhor. Processo documentado erra menos.
O alumínio tem sido apontado como material-chave para mobilidade, construção sustentável e eletrificação. Como o tratamento de superfície pode ampliar ainda mais o potencial desse material nessas aplicações?
Creio que com as tecnologias e melhorias dos processos já comentados. As nanotecnologias, e hoje com ampliação e redução de custos, além de trazerem maiores garantias de durabilidade – por exemplo na proteção anticorrosiva. Vemos um mundo de oportunidades se abrindo com o uso desses insumos com apelo ecológico e melhorias das aplicações.
A anodização já é um processo com bom perfil ambiental, mas ainda há espaço para evoluir. Em mobilidade elétrica, a anodização dura tem papel importante na proteção de componentes sujeitos a atrito e calor. Na construção sustentável, perfis anodizados com selagem de qualidade garantem longevidade real da fachada, reduzindo manutenção e substituição ao longo do ciclo de vida do edifício. Na eletrificação em geral, o alumínio anodizado entra em barramentos, dissipadores e componentes de gestão térmica. Em todos esses casos, o que torna o alumínio apto para essas aplicações não é só o metal, é o processo de tratamento que garante que ele vai performar como esperado ao longo do tempo.
Metal Coat
Fernando Brasilio da Silveira, Gestor de Negócios em Pré-Tratamento — metalcoat.com.br
Em quais setores sua empresa atua hoje e como o alumínio se insere estrategicamente nessas operações?
Atuamos, principalmente, nos setores de construção civil, energia e bens de consumo, além do mercado automotivo, onde o alumínio tem um papel cada vez mais estratégico e sustentável. No que nos compete como indústria de insumos para o tratamento de alumínio, atuamos no desenvolvimento de tratamentos de superfície e na melhoria de processos como anodização, pintura e passivação, com o objetivo de agregar valor ao produto final, oferecer excelência nos requisitos técnicos e práticos, e ampliar a competitividade no mercado. Isso significa atuar de forma ativa e técnica no tratamento de superfícies, que exige controle rigoroso de processos como anodização e conversão química, impactando diretamente na resistência à corrosão, aderência e desempenho final da peça.
Quais soluções para o tratamento de superfícies de alumínio sua empresa considera, hoje, mais importantes para atender às exigências de desempenho, durabilidade e eficiência energética?
Destacaria a anodização, especialmente quando se busca alta resistência à corrosão, estabilidade da camada, além de acabamento estético controlado. Paralelamente, os processos de conversão, como camadas livres de cromo hexavalente, vêm ganhando espaço. Também há um foco crescente na otimização dos processos, com redução do consumo de energia, água e insumos, além do uso de tecnologias mais limpas e recicláveis. Nesse contexto, o tratamento de superfície deixa de ser apenas uma etapa de proteção e passa a ser estratégico para garantir o desempenho funcional e a competitividade do produto final. Na prática, isso exige controle rigoroso em toda a preparação da superfície, na composição dos banhos e nos parâmetros de processo.
Como você avalia o momento atual do setor de alumínio no Brasil diante de fatores como custo de energia, exigências ambientais e reposicionamento das cadeias globais de fornecimento?
O setor vive um momento desafiador, mas também repleto de oportunidades estratégicas. Por um lado, o custo elevado de energia elétrica continua sendo uma das principais barreiras, por outro, o Brasil possui uma vantagem importante quando analisamos sua matriz energética – predominantemente renovável –, posicionando-nos de forma bastante competitiva. Além disso, o movimento de reorganização das cadeias globais, com foco na regionalização e na segurança e estabilidade de fornecimento, abre espaço para o Brasil se consolidar como um fornecedor confiável. Em resumo, apesar dos desafios estruturais, o momento é favorável para empresas que consigam aliar eficiência energética, inovação e posicionamento sustentável.
De que maneira medidas comerciais adotadas por grandes economias, como tarifas, subsídios e políticas de incentivo à produção local, vêm influenciando o mercado de alumínio e as estratégias da sua empresa no Brasil?
Essas políticas geram dois efeitos principais: tendência de regionalização das cadeias de fornecimento e valorização da produção com energia limpa e processos mais sustentáveis. No Brasil, há pressão competitiva em razão de distorções causadas por subsídios externos. Por outro, surge uma clara oportunidade para posicionar o alumínio brasileiro como um produto de menor intensidade de carbono. Nesse contexto, as estratégias tendem a evoluir em três frentes: melhoria da eficiência operacional; maior investimento em tecnologias que agreguem valor; e um posicionamento comercial mais alinhado a critérios ESG. Ou seja, o que poderia ser uma ameaça acaba funcionando como um catalisador para a inovação e o reposicionamento competitivo das empresas brasileiras.
Nesse contexto de maior complexidade técnica e competitiva, quais têm sido os principais desafios do tratamento de superfícies de alumínio e quais diferenciais sua empresa acredita serem decisivos para se manter relevante no mercado?
Hoje, um dos principais desafios é a necessidade de processos cada vez mais estáveis e repetitivos, com controle rigoroso de parâmetros, além de tecnologias ambientalmente mais seguras, livres de cromo. Essas novas tecnologias, embora mais sustentáveis, costumam ser mais sensíveis, exigindo maior domínio de processo e monitoramento. Assim, os diferenciais mais relevantes são: o amplo domínio técnico aplicado; a proximidade com o cliente; e a capacidade de adaptação, considerando que os processos são dinâmicos e exigem conexão constante com as demandas e evoluções do mercado. Nossa missão é ir além dos tratamentos em si, atuando como parceiros técnicos para garantir que os resultados sejam efetivos e contribuam positivamente para o desempenho e a confiabilidade do produto final.
O alumínio tem sido apontado como material-chave para mobilidade, construção sustentável e eletrificação. Como o tratamento de superfície pode ampliar ainda mais o potencial desse material nessas aplicações?
O alumínio já é um material extremamente versátil, mas, para uma ampla gama de aplicações, são os tratamentos de superfície e suas diferentes tecnologias que realmente desbloqueiam todo o seu potencial. São eles que, de fato, garantem durabilidade, estabilidade e desempenho funcional, seja na resistência à corrosão, na condutividade ou no isolamento elétrico, entre outras possibilidades. Em mobilidade, construção e eletrificação, não basta apenas o material em si, é a engenharia de superfície que permite que o alumínio atenda aos requisitos mais exigentes. Por isso, vemos o tratamento de superfície como um elemento estratégico nessa equação, capaz de viabilizar a inovação, gerar resultados concretos e ampliar ainda mais o uso do alumínio nessas aplicações.
Proquimia do Brasil
Marcelo Kempt, Vendedor Técnico — www.proquimia.com
Em quais setores sua empresa atua hoje e como o alumínio se insere estrategicamente nessas operações?
Atuamos nos setores arquitetônico, automotivo e de bens de consumo. O alumínio ocupa uma posição central em nossa estratégia de portfólio e o tratamento de superfície é condição indispensável para que o material entregue as propriedades que o mercado exige: resistência à corrosão, adesão de tintas e revestimentos, e integridade estética ao longo do ciclo de vida do produto. Estrategicamente, o alumínio é um vetor de crescimento irreversível. A combinação de leveza, reciclabilidade e condutividade elétrica faz dele o material preferencial em aplicações de mobilidade, estruturas fotovoltaicas e arquitetura sustentável – segmentos em expansão. Estar bem posicionado no tratamento do alumínio é estar posicionado no futuro da indústria.
Quais soluções para o tratamento de superfícies de alumínio sua empresa considera, hoje, mais importantes para atender às exigências de desempenho, durabilidade e eficiência energética?
Destacamos três frentes: A primeira é a conversão de superfície isenta de cromo. Nossa linha de produtos à base de zircônio e titânio – sem metais pesados – entrega aderência, proteção à corrosão e compatibilidade com sistemas de pintura em padrões comparáveis aos processos cromatizantes tradicionais. A segunda é a eficiência nos processos de decapagem e limpeza. Temos produtos decapantes com formulações otimizadas que trabalham mesmo em temperatura ambiente e com taxas de ataque controladas. E a terceira, o controle e a rastreabilidade de processo. Temos um sistema próprio de dosagem automática, monitoramento contínuo de parâmetros e de registro de dados: o cliente tem previsibilidade de resultado, redução de retrabalho e auditabilidade de processo.
Como você avalia o momento atual do setor de alumínio no Brasil diante de fatores como custo de energia, exigências ambientais e reposicionamento das cadeias globais de fornecimento?
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de bauxita e alumina, com reservas que nos dariam uma posição de liderança global confortável – mas, ao mesmo tempo, a indústria de transformação local é penalizada pelo custo de energia elétrica. Por outro lado, o movimento de nearshoring e a diversificação de fornecedores abrem espaço para o Brasil avançar em alumínio transformado, desde que haja políticas industriais consistentes. No plano ambiental, as exigências crescentes de ESG ao longo das cadeias de fornecimento são um desafio e uma alavanca. O alumínio brasileiro, com seu elevado percentual de energia hidrelétrica na matriz, já parte com uma vantagem de pegada de carbono que, se bem aproveitada, é um argumento competitivo de peso.
De que maneira medidas comerciais adotadas por grandes economias, como tarifas, subsídios e políticas de incentivo à produção local, vêm influenciando o mercado de alumínio e as estratégias da sua empresa no Brasil?
No curto prazo, o efeito mais imediato é a volatilidade de preço do metal. Quando o custo do substrato oscila, a pressão por eficiência nos processos aumenta proporcionalmente; clientes que operam com processos otimizados e controlados absorvem muito melhor as variações externas do que aqueles que dependem de ajustes empíricos e retrabalho. Para a Proquimia, essas turbulências reforçam a importância de estarmos próximos dos clientes com suporte técnico qualificado. O mercado não está tolerando mais a abordagem de produto como commodity. A decisão de compra de um químico de processo precisa ser baseada em custo total de operação – e não em preço de tabela –, e esse argumento ganha força exatamente quando os outros custos da cadeia estão sendo pressionados.
Nesse contexto de maior complexidade técnica e competitiva, quais têm sido os principais desafios do tratamento de superfícies de alumínio e quais diferenciais sua empresa acredita serem decisivos para se manter relevante no mercado?
No plano técnico, o principal desafio é a crescente diversidade de ligas de alumínio em uso na indústria. Formulações que funcionam bem para uma liga podem ser completamente inadequadas para outra. No plano regulatório, a transição para processos isentos de cromo ainda está em curso, e o desafio não é apenas substituir o produto, é garantir que a performance do sistema de pintura subsequente não seja comprometida. No plano competitivo: o cliente não quer apenas comprar um produto; ele precisa garantir que o processo está sob controle, que os dados estão registrados e que, se algo der errado, há informação suficiente para identificar a causa raiz. Isso é o que diferencia um parceiro técnico de um fornecedor de insumo.
O alumínio tem sido apontado como material-chave para mobilidade, construção sustentável e eletrificação. Como o tratamento de superfície pode ampliar ainda mais o potencial desse material nessas aplicações?
O tratamento de superfície é, literalmente, a interface entre o potencial intrínseco do alumínio e as condições reais de uso; não é um passo operacional trivial, mas o habilitador técnico que faz a promessa do material ser cumprida na prática. E, nesse papel, a qualidade das matérias-primas e dos produtos químicos, a precisão do processo e a capacidade de rastreabilidade fazem toda a diferença. Em nossa visão, o tratamento de superfície funciona como a camada de valor agregado que viabiliza a longevidade do material. Ao ampliar a vida útil e garantir a performance estética, e principalmente funcional, o setor químico assegura que o alumínio cumpra sua promessa de ser o metal do futuro, transformando o potencial teórico em viabilidade técnica e econômica.
SurTec
Rodrigo Leão Rezende, Country Director — www.surtec.com
Em quais setores sua empresa atua hoje e como o alumínio se insere estrategicamente nessas operações?
Atuamos em construção civil, transportes, energia e bens de consumo duráveis; e o alumínio assume um papel estratégico central, não apenas como material estrutural, mas como vetor de inovação e sustentabilidade. Investimos continuamente em soluções de pré-tratamento para pintura, desengraxantes de alto desempenho e baixo consumo, e linha completa para anodização; além de pré-tratamentos especiais para o setor aeroespacial e veículos elétricos, setores com as mais altas exigências técnicas. O alumínio é um material-chave no reposicionamento das cadeias produtivas e na transição para uma indústria de baixo carbono e a Surtec faz parte disso.
Quais soluções para o tratamento de superfícies de alumínio sua empresa considera, hoje, mais importantes para atender às exigências de desempenho, durabilidade e eficiência energética?
A SurTec se destaca nas soluções de maior desempenho e durabilidade para os processos de anodização, passivações e pré-tratamentos para pintura de última geração, além de processos de limpeza de alto desempenho, elevada vida útil e baixas temperaturas de operação – tecnologias fundamentais para garantir o elevado desempenho do produto com relação à corrosão e durabilidade. Há, ainda, um movimento claro em direção a processos mais sustentáveis, com redução do uso de substâncias restritivas e menor consumo de energia e água. Buscamos oferecer soluções completas aos nossos clientes, com o desenvolvimento de projetos integrados que incluem o fornecimento de equipamentos para aplicação automatizada e sistemas avançados de monitoramento de processos, alinhados à Indústria 4.0.
Como você avalia o momento atual do setor de alumínio no Brasil diante de fatores como custo de energia, exigências ambientais e reposicionamento das cadeias globais de fornecimento?
É um momento de contrastes. Por um lado, com desafios relacionados ao elevado custo de energia e exigências ambientais. Também enfrenta um desafio estratégico com a ascensão de polímeros em aplicações não estruturais. Além da concorrência direta por custo, estética e funcionalidade, o setor ainda lida com pressões de sustentabilidade – pela demanda da alta intensidade energética. Além disso, a indústria deve acelerar a transição para o alumínio de baixo carbono e expandir o uso de material reciclado. Por outro lado, a reorganização das cadeias abre oportunidades com a busca por fornecedores mais próximos, confiáveis e alinhados a práticas sustentáveis. A competitividade passa a depender cada vez mais de eficiência operacional, inovação e capacidade de adaptação.
De que maneira medidas comerciais adotadas por grandes economias, como tarifas, subsídios e políticas de incentivo à produção local, vêm influenciando o mercado de alumínio e as estratégias da sua empresa no Brasil?
Medidas como tarifas de importação, subsídios à produção local e programas de incentivo à industrialização têm gerado distorções competitivas e redirecionado fluxos comerciais. Para empresas que atuam no Brasil, esse cenário exige uma abordagem estratégica mais robusta, com foco em ganho de produtividade, diferenciação tecnológica e fortalecimento de parcerias locais. Além disso, há uma crescente necessidade de monitoramento constante do ambiente regulatório internacional, de modo a antecipar riscos e identificar oportunidades em mercados que passam por processos de reindustrialização.
Nesse contexto de maior complexidade técnica e competitiva, quais têm sido os principais desafios do tratamento de superfícies de alumínio e quais diferenciais sua empresa acredita serem decisivos para se manter relevante no mercado?
Entre os desafios, destacam-se o atendimento a requisitos técnicos cada vez mais rigorosos, além da necessidade de redução do impacto ambiental dos processos. Outro ponto crítico é a crescente demanda por padronização e rastreabilidade, impulsionada por cadeias globais mais integradas e por clientes cada vez mais exigentes. Como resposta, os principais diferenciais competitivos estão na combinação entre domínio tecnológico, inovação contínua e proximidade com o cliente. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento, automação de processos e soluções mais sustentáveis são fundamentais. Além da capacidade de oferecer suporte técnico especializado e desenvolver soluções sob medida. É a empresa como parceira estratégica e não apenas como fornecedora.
O alumínio tem sido apontado como material-chave para mobilidade, construção sustentável e eletrificação. Como o tratamento de superfície pode ampliar ainda mais o potencial desse material nessas aplicações?
O tratamento de superfície desempenha papel decisivo; mais do que uma etapa de proteção, ele evoluiu para um elemento funcional, capaz de agregar desempenho técnico, valor estético e confiabilidade ao material. Na mobilidade, contribui diretamente na resistência à corrosão, além de ampliar a vida útil dos componentes e reduzir custos de manutenção. Na construção civil, garante estabilidade estética e proporciona longevidade das edificações. No contexto da eletrificação: influencia o desempenho, a segurança e a confiabilidade de sistemas. Assim, se consolida como um habilitador essencial para a aplicação do alumínio em setores cada vez mais exigentes, contribuindo diretamente para ganhos de eficiência energética, desempenho e durabilidade.
SustenTS — Quimidream | Alsan Spain
Anuar Gazal, Diretor — www.sustents.com
Em quais setores sua empresa atua hoje e como o alumínio se insere estrategicamente nessas operações?
Atuamos nos segmentos de mobilidade, energia, construção civil e aplicações industriais, oferecendo processos químicos de alta tecnologia, com foco em soluções alinhadas à transição energética e à reindustrialização sustentável. A área de alumínio ocupa posição estratégica em nossas operações. Sua leveza contribui para a eficiência energética no setor automotivo, especialmente em veículos eletrificados. Em energia, está presente em sistemas de transmissão, estruturas para geração solar e eólica, e componentes de armazenamento. Na construção civil, viabiliza soluções duráveis, recicláveis e de baixa manutenção. O uso do alumínio reforça nosso compromisso com inovação, economia circular e redução da pegada de carbono, consolidando nossa atuação em cadeias industriais mais eficientes e sustentáveis.
Quais soluções para o tratamento de superfícies de alumínio sua empresa considera, hoje, mais importantes para atender às exigências de desempenho, durabilidade e eficiência energética?
Soluções que agregam proteção anticorrosiva, aderência para revestimentos e estabilidade térmica, com foco em sustentabilidade e conformidade ambiental, como pré-tratamentos livres de cromo hexavalente, que garantem proteção anticorrosiva com menor impacto ambiental; anodização, amplamente utilizada quando se busca elevada resistência à corrosão e acabamento estético de alto padrão; pintura eletrostática a pó, que oferece excelente durabilidade, eficiência de aplicação e baixo VOC. Tratamentos para aumento de condutividade ou isolamento térmico, conforme a aplicação final (energia, mobilidade ou construção). Essas soluções permitem aumentar a vida útil dos componentes, reduzir manutenção e contribuir para a eficiência energética ao longo do ciclo de vida do produto.
Como você avalia o momento atual do setor de alumínio no Brasil diante de fatores como custo de energia, exigências ambientais e reposicionamento das cadeias globais de fornecimento?
O setor de alumínio está no centro de megatendências estruturais: eletrificação, mobilidade leve, infraestrutura sustentável e economia circular. O Brasil possui ativos importantes: matriz energética renovável, base industrial instalada e experiência consolidada em reciclagem. Transformar essas vantagens em liderança internacional dependerá de coordenação entre indústria, governo e investidores. Mais do que um insumo metálico, o alumínio tornou-se elemento estratégico na construção de uma economia de baixo carbono. O momento atual exige visão sistêmica: alinhar competitividade, sustentabilidade e política industrial. Se bem conduzido, o setor pode deixar de ser apenas um elo da cadeia de commodities para assumir papel de protagonista na nova arquitetura industrial global.
De que maneira medidas comerciais adotadas por grandes economias, como tarifas, subsídios e políticas de incentivo à produção local, vêm influenciando o mercado de alumínio e as estratégias da sua empresa no Brasil?
Nossa estratégia para o nosso mercado – Brasil – tem se orientado por quatro pilares: foco em valor agregado, reduzindo exposição à competição puramente baseada em preço de commodity; aprimoramento de eficiência energética e rastreabilidade de emissões, visando mercados com exigências ESG mais rigorosas; diversificação de mercados, mitigando riscos associados a medidas comerciais específicas; e integração com cadeias locais estratégicas, como mobilidade elétrica, construção sustentável e geração renovável.
Nesse contexto de maior complexidade técnica e competitiva, quais têm sido os principais desafios do tratamento de superfícies de alumínio e quais diferenciais sua empresa acredita serem decisivos para se manter relevante no mercado?
Nossos principais desafios são: 1. a eliminação de substâncias restritas – como processos baseados em cromo hexavalente (Cr⁶⁺) –, mantendo desempenho anticorrosivo equivalente. 2. Desempenho em ambientes agressivos, com aplicações em energia solar, infraestrutura costeira e mobilidade elétrica – que demandam resistência superior à corrosão, estabilidade UV, e durabilidade de longo prazo. 3. Eficiência energética e hídrica: a sustentabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser pré-requisito. 4. Compatibilidade com novas ligas e processos, com a evolução das ligas de alumínio, que exige ajustes finos nos parâmetros de ataque químico, ativação superficial e conversão. 5. Integração com sistemas automatizados: rastreabilidade, controle estatístico de processo e repetibilidade, fundamentais para atender cadeias globais exigentes.
O alumínio tem sido apontado como material-chave para mobilidade, construção sustentável e eletrificação. Como o tratamento de superfície pode ampliar ainda mais o potencial desse material nessas aplicações?
O tratamento de superfície deixa de ser apenas etapa complementar e passa a ser elemento central de agregação de valor, pois ele: amplia vida útil; reduz manutenção; melhora desempenho funcional; atende regulamentações ambientais; contribui para metas ESG e de descarbonização. Em um cenário no qual sustentabilidade e eficiência energética são determinantes competitivos, o tratamento adequado potencializa as propriedades naturais do alumínio e o posiciona como material estratégico da nova economia industrial.
WEG Tintas
Giuliano da Silva Andreatta, Vendedor — www.weg.net
Em quais setores sua empresa atua hoje e como o alumínio se insere estrategicamente nessas operações?
Hoje a WEG Tintas entra na cadeia do alumínio fornecendo a proteção decorativa e anticorrosiva através de tintas líquidas ou, majoritariamente, pó.
Quais soluções para o tratamento de superfícies de alumínio sua empresa considera, hoje, mais importantes para atender às exigências de desempenho, durabilidade e eficiência energética?
Desengraxe ácido seguido de um conversor de camadas (tecnologia nanocerâmica). Além disso, para ambientes mais agressivos à tinta e ao substrato, existe a solução do tratamento Flash Anodizing previamente à pintura.
Como você avalia o momento atual do setor de alumínio no Brasil diante de fatores como custo de energia, exigências ambientais e reposicionamento das cadeias globais de fornecimento?
Instável, principalmente pelo ano eleitoral que iremos passar em 2026, além de, também, pelas questões globais – como tarifas e guerras internacionais –, que podem gerar instabilidade no preço do alumínio.
De que maneira medidas comerciais adotadas por grandes economias, como tarifas, subsídios e políticas de incentivo à produção local, vêm influenciando o mercado de alumínio e as estratégias da sua empresa no Brasil?
As políticas comerciais globais: reduzindo a lógica de mercado livre, aumentando a complexidade competitiva e acelerando a migração do setor para produtos de maior valor agregado. Para empresas no Brasil, a resposta não está em competir por preço com o mundo, mas em subir na cadeia, capturar valor e se posicionar como solução e não como commodity.
Nesse contexto de maior complexidade técnica e competitiva, quais têm sido os principais desafios do tratamento de superfícies de alumínio e quais diferenciais sua empresa acredita serem decisivos para se manter relevante no mercado?
Como a WEG Tintas não trabalha com tratamento de superfície, irei responder com relação ao produto que fornecemos. Para apresentar soluções mais competitivas e aumentar o market share do alumínio na arquitetura e construção civil brasileira, a WEG apresenta tintas para efeito madeira, efeito aço corten, efeito mármore, além de trabalhar com tintas metalizadas/perolizadas, gerando alto valor agregado para as esquadrias de alumínio.
O alumínio tem sido apontado como material-chave para mobilidade, construção sustentável e eletrificação. Como o tratamento de superfície pode ampliar ainda mais o potencial desse material nessas aplicações?
Falando sobre tinta, acreditamos que, gerando mais valor agregado ao produto e trabalhando com novidades constantes, podemos trabalhar ainda mais no potencial de vendas do alumínio, driblando as dificuldades do segmento.