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A Galvanoplastia Continuará Existindo, apesar das Crescentes Pressões Ambientais

Com a visão de mais de 60 anos de atuação no setor, Elis Duarte Raduan fala sobre a sua trajetória – da Varig até a fundação de sua empresa, Eletrodeposição Rallco –, e mostra por que nenhuma tecnologia é capaz de substituir totalmente os acabamentos essenciais para diversos setores.

A Galvanoplastia Continuará Existindo, apesar das Crescentes Pressões Ambientais

Nascido em Laranjal Paulista, interior de São Paulo, Elis Duarte Raduan carrega consigo a memória de uma infância alegre. “Tive uma infância feliz, tranquila e muito marcada pela convivência familiar”, lembra. Aos domingos, todos se reuniam para o tradicional almoço na casa dos avós, hábito que mantém com seus próprios filhos e netos. “Essa tradição mantenho até hoje”, conta, com orgulho.

Ainda jovem, mudou‑se para São Paulo e ingressou no curso Técnico de Química Industrial pelo IMESP – Instituto Metodista Educacional de São Paulo, concluído em 1968. Nessa época, Elis já atuava como escriturário, quando alguns parentes que trabalhavam na Aerovias Brasil (incorporada à Real e, posteriormente, à Varig) arrumaram‑lhe uma oportunidade: “Iniciei minha trajetória como escriturário, ainda muito jovem”, recorda. Sua escolha profissional foi certeira: “Fui transferido para o Departamento de Engenharia, para atuar no setor de galvanoplastia. Lá trabalhei como operador e, posteriormente, como Químico II de Manutenção, até abril de 1971. A Varig se tornou minha grande escola em galvanoplastia”, afirma.

Com a visão de mais de 60 anos de atuação no setor, Elis Duarte Raduan fala sobre a sua trajetória – da Varig até a fundação de sua empresa, Eletrodeposição Rallco –, e mostra por que nenhuma tecnologia é capaz de substituir totalmente os acabamentos essenciais para diversos setores.

Assim, trilhou naturalmente o caminho da Química ao ingressar na Faculdades Oswaldo Cruz. Foi também na Varig que o profissional encontrou um mentor que marcaria a sua carreira. “Tive como grande mentor o Sr. Jorge Yoshida”, diz com gratidão. A partir desse ponto, Elis seguiu uma trajetória sólida no setor, passando por empresas como Eloxal, Monark, Arteb, Metagal, Delta Metal, IMBE e Antenas Olimpus, além de realizar inúmeros assessoramentos técnicos.

Desafios da carreira

Entre os momentos mais desafiadores da carreira, Elis cita dois episódios que ficaram gravados na memória. O primeiro foi uma auditoria inesperada do DAC – Departamento de Aviação Civil. “Recebemos uma inspeção do DAC solicitando todos os controles de processos do setor de galvanoplastia”, relata. A investigação foi motivada por uma pane em voo atribuída a um componente reprocessado, “fato que, comprovadamente, não havia sido tratado em nosso setor”, conta.

Já o segundo desafio foi de natureza técnica e operacional. “Gerenciar cerca de 100 mil litros de banho de níquel e 12.500 litros de banho de cromo decorativo, distribuídos em quatro máquinas, exigia uniformidade e análises constantes”, explica.

Foi em 1977 que uma decisão mudaria o curso de sua vida. A empresa em que atuava anunciou que o setor de galvanoplastia seria terceirizado, e assim nasceu uma grande oportunidade: “Recebi uma proposta de apoio para montar minha própria empresa”. Surgiu, então, a Eletrodeposição Rallco Ltda., especializada em processos decorativos e em cromo duro industrial. Embora não tivesse sido um plano inicial, o empreendedorismo abriu caminho para sua autonomia profissional e para uma nova fase de sua carreira.

Futuro do setor

Quando fala sobre o futuro da galvanoplastia, Elis demonstra convicção: “Acredito firmemente que a galvanoplastia continuará existindo, apesar das pressões ambientais.” Ele reforça que não há alternativas completas para os acabamentos decorativos, protetivos ou técnicos: “Nenhuma tecnologia é capaz de substituir totalmente os acabamentos essenciais para setores como automotivo, aeroespacial, petróleo e gás, moldes e ferramentarias e eletroeletrônicos”.

Sua visão inclui ainda um avanço contínuo em direção à sustentabilidade e à modernização: “O setor avançará em rigor nos controles ambientais, produtos de menor toxicidade, sistemas automatizados e enclausurados, captação e lavagem de gases e tratamento completo de efluentes. A adoção de robôs também será crescente, reduzindo a mão de obra direta”, enfatiza.

Atualmente, embora já tenha uma longa jornada, Elis permanece ativo como autônomo. “Ainda exerço atividades envolvendo estudos e projetos para exaustão, lavadores de gases e tratamento de efluentes”, explica. Além disso, destaca sua atuação em parceria com escritórios de engenharia, especialmente na emissão de laudos RT, licenciamentos e renovações, uma responsabilidade técnica que continua exercendo com dedicação.

Residente em São Bernardo do Campo, segue pesquisando, estudando e se atualizando: “Temos, hoje, tecnologia e informação em escala inédita, e ferramentas como a inteligência artificial facilitam o acesso ao conhecimento”, diz animado.

Ao final da conversa, Elis escolhe a humildade como mensagem. “Não busco reconhecimento pessoal, mas fico satisfeito em saber que pude contribuir ao longo da minha trajetória”. Ele destaca que muitos profissionais permanecem na área pela própria dedicação, refletindo o que ele mesmo construiu. “Isso sempre me inspirou”, conclui.

ELIS DUARTE RADUAN
elisraduan@hotmail.com

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