icone Linkedinicone Facebookicone Instagramicone youtube

Gestão de Pessoas? Que Preguiça...


Ponto de VistaTS 23022 de agosto de 2022 | Por: Portal TS
Gestão de Pessoas? Que Preguiça...

Tudo é desculpa na hora de gerir e priorizar pessoas. 

Fuja dessa armadilha!

 

José Guilherme de Azevedo Pacheco

Consultor Técnico na Empresa de Pesquisa Energética - EPE 

 

 

Semana cheia... relatórios para entregar, reuniões difíceis, tomadas de decisão complexas, avaliação de projetos que não deslancham, realinhamento de prioridades. E, infelizmente, pela terceira vez neste mês, a reunião de clima organizacional da equipe foi adiada, sem perspectiva de novo agendamento. “Deixa a maré abaixar que a gente marca”.

Essa é uma cena típica ainda nas organizações do Século XXI. Cobrados por metas cada vez mais agressivas e ousadas – muitas vezes beirando o inatingível – os gestores têm que ‘rodar os pratinhos’ junto com suas equipes, escolhendo aqueles que são imprescindíveis aos negócios e geradores de resultados tanto para o time como para a empresa. Porém, manter os pratos rodando tem o seu custo e, por vezes, alguns caem. Adivinhem qual invariavelmente é deixado para trás?

Quem tem a função de estar à frente de um grupo sabe – ou pelo menos deveria saber – que a tarefa não é fácil. Muito mais do que um papel de chefe a ditar o que deve ou não ser feito, atuar como um verdadeiro líder exige além de competências técnicas e conhecimento aplicado. É preciso também profunda maestria em trabalhar e interagir com pessoas, extraindo delas o seu melhor no alcance dos objetivos estabelecidos, promovendo simultaneamente seu desenvolvimento profissional e pessoal. E, nesse ponto, vale uma reflexão: O termo ‘pessoal’, derivado do latim persona (que remete à máscara usada pelos atores no teatro clássico), apesar de intrinsecamente relacionado ao indivíduo, parece de certa forma até despersonalizá-lo, ao tratar de maneira uniforme e padronizada seres que têm semelhanças, mas principalmente diferenças. 

A própria nomenclatura dada a Recursos Humanos empobrece a dimensão que o fator humano tem na organização – ou alguém gosta de ser classificado como recurso? 

Há de se ver e reconhecer que as organizações não são compostas meramente por pessoas – organizações são feitas por GENTE!

 

Fácil falar, difícil realizar

Se nem gêmeos idênticos possuem o mesmo DNA, como gerir pessoal sem aprofundar a relação com cada indivíduo? Sem conhecer a fundo seus interesses, sonhos, expectativas, aptidões? E, para isso, o remédio consiste em colocar a gestão de gente como prioridade nas atividades do líder. Disciplina e senso de organização constituem pré-requisitos fundamentais na agenda do gestor, a fim de se reservar um tempo propício na edificação de um relacionamento com cada membro da equipe, estimulando um conhecimento mútuo que fortalece os laços entre líder e liderado.

Fácil falar, difícil de realizar quando cobranças e responsabilidades caem de modo inclemente sobre a cabeça dos responsáveis pela gestão, sem falar nos incêndios imprevistos, os quais teimam em aparecer. 

Eis a pergunta de um milhão de dólares: seria o excesso de obrigações mais uma fuga do que de fato um dever a cumprir? Não é mais cômodo livrar-se do compromisso de se reunir sistematicamente com ‘sua’ gente e priorizar qualquer outra atividade, que nem sempre é urgente? Coisas a fazer sempre existirão; afinal, se não as tiver, é bom ter o currículo atualizado, né?

 

Traçando ordens, lançando missões, definindo tarefas

Um mundo em constante mudança, com reviravoltas e cenários progressivamente desafiadores, requer das instituições uma liderança diferenciada. Motivar uma equipe não somente a bater metas, mas a superar as suas próprias expectativas e de seus stakeholders, demanda um novo posicionamento da gestão. 

Reconhecer o valor de cada membro do time pela riqueza que sua pessoa pode agregar ao conjunto, com seus pontos fortes, limitações, crenças e valores, traz em si um enorme e verdadeiro potencial, a partir de uma relação que se aprofunda de modo contínuo, priorizando o momento do encontro entre aquele que lidera e o seu comandado. Para traçar ordens, lançar missões, definir tarefas? Longe disso! Nessa hora, cria-se um espaço destinado a conhecer mais a fundo quem é o José, a Maria... Do que ele gosta de fazer no trabalho e em seu tempo livre, com o que ela se preocupa, o que ele pretende num horizonte de médio e longo prazo, quais conhecimentos ela tem e outros que tem pretensão de aprimorar? 

Mostrar à sua equipe o quanto cada um tem respeito e valor garante ao gestor um grupo comprometido no atingimento dos alvos traçados, respaldado por uma transparência que reforça a confiança entre todos e promove o conforto e segurança nas relações, pessoais e de trabalho.

José e Maria são mais do que recursos humanos: José e Maria são GENTE!

 

*Este texto foi originalmente publicado no site Administradores.com.br.

 

José Guilherme de Azevedo Pacheco 

Possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com MBA Executivo pela COPPEAD/UFRJ, MBA em gestão de negócios pelo IBMEC-RJ e pós-graduação em marketing pela PUC-RJ, além de diversos cursos de formação em gestão, desenvolvimento pessoal e qualificação técnica. Experiência de mais de 30 anos na área de planejamento e inteligência de mercado. Também atuou na docência em curso de ensino superior de Administração. Saiba mais, clicando aqui. 

Mais notícias

Notícias relacionadas

Este site usa cookies do Google para fornecer serviços e analisar tráfego.Saiba mais.