Realizado em 22 de outubro de 2026, com apoio da associada Quaker Houghton, o webinar marcou a retomada da agenda de transmissões da ABTS. A apresentação ficou a cargo de Alessandra Zanuto, Gerente de Desenvolvimento de Negócios, e Anderson Lima, Gerente de Aplicação de Produto, com moderação de Melissa Fërreira, Diretora Cultural da ABTS.
Alessandra abriu com um panorama da Quaker Houghton, líder global em fluidos e soluções para processos industriais: são mais de 150 anos de história, presença em 116 países, mais de 30 fábricas e mais de 30 centros de pesquisa e desenvolvimento. Ela mostrou que, para a empresa, sustentabilidade não é uma ação isolada, mas parte do que é entregue ao cliente.
Na sequência, Anderson explicou por que a sustentabilidade virou uma exigência do setor. Para a indústria, ser sustentável significa produzir mais com menos água, energia e insumos, gerando menos resíduos e emissões, sem perder qualidade. Em tratamento de superfícies o desafio é ainda maior, porque todo banho montado se torna efluente no descarte. A essa realidade somam-se a pressão regulatória, as listas de substâncias restritas dos próprios clientes e as metas de ESG.
Entre as tendências apresentadas, o destaque foi a troca de produtos em pó por tecnologias líquidas, que dependem menos do operador, permitem automatizar a dosagem e deixam o processo mais estável. Foram mostrados exemplos práticos:
• Fosfato de manganês de baixa temperatura (cerca de 65 °C, contra 95 a 98 °C no processo convencional), com refinador líquido. Os banhos ficam mais estáveis, o descarte diminui e a formulação é isenta de níquel e livre da classificação CMR (cancerígena, mutagênica e reprotóxica).
• Evolução do fosfato de zinco, com fosfatos tricatiônicos que trabalham em temperatura ambiente e refinadores à base de zinco no lugar dos de titânio.
• Nanotecnologia à base de flúor-zircônio, que processa aço, zinco e alumínio na mesma linha, em temperatura ambiente, sem formação de borra e com tempo de aplicação de 1 a 2 minutos (contra 5 a 10 minutos do fosfato). Por ser praticamente isenta de metais pesados, ela simplifica o tratamento de efluentes e pode reclassificar o lodo de Classe I para Classe II.
• Substituição do cromo hexavalente pelo trivalente nos passivadores da galvanoplastia, e por zircônio e titânio na pintura de perfis de alumínio.
• Desengraxantes líquidos de baixa temperatura, que caem de 60 °C para 30 °C com espuma controlada, reduzindo o consumo de energia, a pegada de carbono e o tempo de aquecimento dos banhos.
O palestrante também mostrou como estruturar um projeto de sustentabilidade. O ponto de partida é uma equipe multidisciplinar e os 12 princípios da química verde. A partir daí, as frentes incluem eficiência energética (como o aproveitamento do calor das reações exotérmicas na fabricação), tecnologias livres de metais pesados, reúso de água e otimização dos enxágues, além da digitalização, com monitoramento em tempo real e inteligência artificial para controlar dosagens e reduzir o retrabalho. A mensagem central é que o projeto precisa dar retorno financeiro: menor custo total de operação, menos resíduos e menor risco regulatório.
Na rodada de perguntas, os palestrantes falaram sobre o retorno do investimento em processos sustentáveis, que é de longo prazo. Também explicaram o controle dos novos banhos (a nanotecnologia pode ser controlada por condutividade, com medição e dosagem automáticas), as ações da empresa para reduzir a pegada de carbono e como apoiam o cliente na mudança, com testes no laboratório de aplicação, protocolos de teste definidos junto com o cliente e treinamento das equipes. Bruno, gerente de Advanced Solutions da Quaker Houghton para a América do Sul, reforçou que a sustentabilidade não precisa custar caro: bem conduzida, ela reduz custos e gera valor para fornecedores, clientes, colaboradores e meio ambiente.
Assista à gravação completa acima.